Pedagogia
Educação Infantil – Existe tempo certo para tudo
A escola não é apenas um local para aprender a ler e a calcular. É um local em que a criança aprende a socializar-se, negociar, dominar e ser dominado, brincar, competir com iguais, ganhar e perder. Na escola a criança aprimora a concentração, a organização, o jogo de cintura.
Segundo o Referencial Curricular da Educação Infantil, existem seis eixos temáticos para se trabalhar com crianças até 6 anos de idade, são eles: movimento, música, artes visuais, linguagem oral e escrita, matemática e natureza e sociedade. O professor de Educação Infantil convive com a cobrança e ansiedade dos pais quanto a formação de seus filhos, querendo adiantar as fases da criança, tentando mostrar ao mundo que seus filhos são mais inteligentes que os outros. E nessa ansiedade, esquecem que cada idade tem suas necessidades básicas e que não adianta querer adiantar as mesmas, porque alguns conceitos dependem da maturidade intelectual bem como física e motora para serem apreendidos.
Quando uma criança é colocada numa classe acima de sua idade, mesmo que poucos meses acima, precisamos sempre nos lembrar de que a criança terá que acompanhar todo aprendizado social e comportamental que inevitavelmente faz parte do pacote.
É bom lembrar que os profissionais possuem formação específica para trabalhar com as acrianças, estudam para isso e se preparam por vários anos, por tanto esta é uma decisão bastante criteriosa que deve ser planejada e avaliada pela equipe pedagógica.
Sheila Araújo
Esp. em Educação Infantil
Psicopedagoga
Hiperatividade ou falta de Limites?
Pavio curto? Temperamento difícil? Doença? Qual será a origem das atitudes agressivas que se manifestam em nossas crianças desde o início da infância? O que podemos fazer para conter essa disputa, que está presente nos ambientes, nos quais transitam as crianças? Como ajudá-las a crescer fortes, com maior domínio sobre si mesmas?
A origem da agressividade está diretamente relacionada à incapacidade das pessoas de aceitar e lidar com os limites concretos do dia-a-dia.
No atual momento da nossa história, a “Era do tenho que conseguir tudo a qualquer custo”, os limites acabam mal definidos. Há sempre a tendência de querer mais e mais, além disso, achamos que “o diferente” incomoda e, por isso, deve ser combatido.
Acontece que quando não ensinamos as crianças a aceitarem os limites, ou seja, os “nãos”, que a vida nos impõe a todo instante e também não as ensinamos a reconhecer na diversidade uma forma de vida mais enriquecedora, a agressividade torna-se uma válvula de escape para uma energia que, embora contida, não encontrou uma forma mais produtiva para se manifestar.
Uma situação em que uma criança não entende as regras de funcionamento de um centro de educação infantil ou de uma escola ou é impedida de fazer tudo que quer a todo o momento, leva uma criança despreparada a sentir impotência, frustração, fragilidade. A capacidade de criar e realizar que poderia levá-la a experimentar outros comportamentos é um campo desconhecido para ela.
Em relação ao T.D.A.H. (Trans-torno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) que acomete grande número de crianças, Topezawaski (1999, ) afirma ue na idade pré-escolar 10% das crianças podem ser consideradas hiperativas e que este número cai para cerca de 4% quando as crianças estão em idade escolar.
Este fenômeno acontece devido ao amadurecimento neuronal que possibilita a muitas crianças alcançarem um maior controle de suas atitudes.
As alterações de comportamento das crianças que, na idade escolar, ainda são diagnosticadas como hiperativas têm graus variados e seu tratamento vai depender de como, em primeiro lugar, a família e depois a escola trabalham com ela e também do modo como processou os limites ao longo do seu desenvolvimento sócio emocional.
O diagnóstico de uma criança com T.D.A.H. deve ser feito por um neuropediatra ou um psicólogo clínico e segue determinados padrões técnicos e normas que devem ser respeitados. Contudo, um grande número de crianças mesmo sem possuírem todos os requisitos que caracterizem um quadro psico-patalógico, apresenta problemas de comportamento simplesmente porque não sabem lidar com limites.
Precisamos, portanto, ensiná-las a ter limites, acolhendo-as. Crianças sem limites são muito angustiadas e este sentimento precisa ser reconhecido e acalmado para que não fiquem desamparadas afetivamente.
Não podemos, simplesmente, nos sentirmos culpados, mas devemos procurar fazer a nossa parte.
Os centros de educação infantil plantam sementes e é junto às escolas, ainda, um dos poucos locais em que nossos alunos podem encontrar quem os olhe, proteja, auxilie, cuide. Nossos alunos precisam do nosso apoio. Precisam aprender conosco a conter essa angústia tão devastadora. Se respondermos à angústia das crianças com outra dose de angústia, se uma provocação for aceita, ela vai aparecer e reaparecer até que nos desarmemos e possamos ajudá-las a pensar em vez de agredir.
Precisamos ajudá-las a encontrar o caminho da confiança no outro, da auto estima, da criatividade, do respeito ao outro e suas diferenças, fatores humanizantes e estruturadores, nos quais nossos alunos poderão se apoiar para alcançar o reconhecimento de si mesmos e de seu espaço no Segundo o neuropediatra e psicoterapeuta da infância e adolescência Dr. Esmeraldo Ribeiro da Costa Filho, nos dias atuais, uma dúvida surge com freqüência, na mente dos pais, educadores e profissionais voltados à infância: até quando se pode considerar uma criança hiperativa ou indisciplinada? Está apresentando falta de limites ou um transtorno comportamental?
A hiperatividade, definida como atividade excessiva, deve ser compreendida, inicialmente, como um sintoma geral, que pode aparecer compondo vários diagnósticos. Assim, tomamos o exemplo de uma criança com respiração bucal por hipertrofia de adenóides, outra, agitada por crise de ansiedade, ainda outra, de uma onipotência extrema sem qualquer estruturação de limites na sua formação. Nestes três casos o sintoma em comum é a hiperatividade, porém, os diagnósticos são distintos.
Esse termo também é muito utilizado para designar crianças que apresentam o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (T.D.A.H.), caracterizado por sintomas de falta de atenção e concentração e/ou sintomas de agitação e impulsividade, sendo os critérios bem definidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais ( D.S.M.- IV ), necessitando de um diagnóstico preciso e abordagem multiprofissional.
A chamada “falta de limites” precursora da indisciplina, manifestada na maioria das vezes por hiperatividade é, na atualidade, um reflexo fiel da crise de transformação acentuada da estrutura familiar em nossa sociedade. Modificações estas que repercutem na dificuldade em definir valores socioculturais, em estabelecer os papéis dos cuidadores na dinâmica familiar, em avaliar o tempo disponível para adequada interação entre a criança e seus pais, além de habitar um mundo globalizado que preconiza a imagem, o visual, o imediatismo em detrimento do questionamento e da reflexão.
Seja indisciplina ou hiperatividade a manifestação do sintoma de uma criança, é imperativo a feitura de um diagnóstico correto, definindo as possíveis causas e indicando a conduta mais adequada e, não menos importante, que a abordagem percorra o caminho da afetividade, elemento prioritário na construção da mente, por parte daqueles que se dispõem ao atendimento.
Sheila Araújo
Esp. em Educação Infantil
Psicopedagoga
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